
“Rui Costa teve um golpe genial, a contratação de José Mourinho”
Craques|Hiperligação teaser: https://youtu.be/79voD4Qzf3I
E aqui a ligação para o episódio completo, em estreia hoje às 21h30 no YouTube Sports Tailors: https://youtu.be/D_paQlD1cJ4
O Final Cut regressa com uma conversa imperdível com Vítor Serpa, figura maior do jornalismo desportivo português e ex-diretor do jornal A Bola. Entre memória, análise e franqueza, Serpa mergulha no turbilhão das eleições do Benfica. E desmonta o que está em jogo na segunda volta de dia 8 de novembro.
Sem rodeios, afirma que “o resultado das eleições não surpreendeu”, porque “o povo é conservador e avesso a ruturas”. Mas questiona a coerência entre a vitória de Rui Costa e os resultados desportivos do clube: “Não é muito coerente face ao que o Benfica tem jogado.” Ainda assim, reconhece a jogada decisiva do atual presidente. “Rui Costa teve um golpe, eu diria, genial — apostar todas as fichas na contratação de José Mourinho.”
Para Serpa, esse movimento foi determinante. “Quando um líder não está suficientemente na mó de cima e se arranja um treinador que é um líder aceite por todos, isto resulta. E resultou.” O veterano jornalista acredita que a dúvida sobre o que Mourinho faria com outro presidente “pode ter pesado muito no voto dos sócios”. E que “atacar Rui Costa é perigoso, porque ele é um símbolo.”
Sobre o adversário, é direto: “Noronha tem de corrigir o tiro e fazer outro tipo de comunicação. Aquilo que disse em matéria de comunicação não foi bem conseguido.” E acrescenta, então, que “a declaração de rendimentos deixou no ar a sensação de que não há fumo sem fogo.”
Com a experiência de quem viu várias gerações de futebol e imprensa, Vítor Serpa sublinha, então, que estas foram “as eleições mais mediatizadas da história do Benfica”. E que o número recorde de votantes — mais de 85 mil sócios — mostra “como é importante, em Portugal, haver um clube com mais votantes do que qualquer outro a nível mundial.”

Ainda assim, deixa a incógnita: “Será interessante perceber quantos desses 85 mil se mobilizam novamente. Rui Costa parte em vantagem, mas não tem as eleições ganhas.” E sobre os bastidores, atira uma das frases mais incisivas do episódio. “Luís Filipe Vieira fica mais confortável com a reeleição de Rui Costa do que com a eleição de Noronha. Porque o passado fica como está — tudo o que é novo é uma incógnita”. E não esconde ainda que, na sua opinião, “Luís Filipe Vieira cometeu um erro de casting ao candidatar-se”.
A conversa vai, então, muito além da atualidade benfiquista. Serpa reflete sobre o jornalismo que o formou — “Em finais dos anos 60, entrar no Diário Popular era muito melhor do que qualquer universidade” — e o jornalismo que hoje o preocupa: “Os jornais em papel foram mortos antes de morrerem. Em Portugal não se lê. Reage-se a soundbytes, daí a gritaria que se vê atualmente.”
Fala com emoção dos seus 30 anos à frente de A Bola: “Os primeiros anos foram de guerra civil. Dizia-se que A Bola era do Benfica, mas essa imagem nunca me incomodou.” E confessa desgostos e momentos marcantes: “Tive um desgosto grande quando se reduziu o formato de A Bola” e “a morte do Nuno Ferrari foi um dos momentos mais difíceis da carreira.”
Com a elegância e a clareza de sempre, Vítor Serpa oferece, então, uma visão rara. A de quem entende o futebol como cultura e o jornalismo como responsabilidade.
Estes assuntos e outros que podem, então, ser vistos numa conversa que está disponível a partir das 21h30 desta segunda-feira no Final Cut. O ‘podcast’ da Sports Tailors, que está nas plataformas habituais (YouTube, Spotify e Apple Podcasts).

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