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A Catarina do Eirense também é a Joana D’Arc de Eiras

A Catarina do Eirense também é a Joana D’Arc de Eiras

A Catarina do Eirense também é a Joana D’Arc de Eiras

CraquesCraques|

O Craques falou com a única mulher presidente de um clube da AF Coimbra. Mas a Catarina Crisóstomo não é só a presidente do Eirense. Foi quem, com 18 anos, ‘salvou’ o clube da extinção em 2006. Quase a cumprir 20 anos de dirigismo, a “loucura” que a levou a avançar para a liderança do clube é hoje a consciência que releva a importância de formar novos dirigentes para o futebol distrital.

O Eirense foi, por estes dias, notícia pela infelicidade de um incêndio que afetou as suas instalações. E o Craques quis perceber a real dimensão do acidente. Mas fomos mais longe. Porque a história de Catarina Crisóstomo merece ser contada de fio a pavio. Em 2006, quando o Eirense tinha acabado de subir à 1ª Distrital da AF Coimbra, a direção do clube saiu e este esteve à beira de acabar. Mas, numa assembleia-geral histórica, emergiu um nome inesperado. “Foi daquelas loucuras que nem se percebe por que se fazem…”, explicou Catarina. Hoje, 19 anos depois, continua de pedra e cal no Eirense e com muita obra feita. A Catarina do Eirense também é a Joana D’Arc de Eiras.

A história da tomada de posse é contada na primeira pessoa. “Após três assembleias gerais, eu lancei o repto de que não podíamos deixar o clube acabar. E numa conversa de amigos, houve alguém que me disse: ‘Eu só vou se tu fores na frente.’ E eu, inocente, com 18 anos, aceitei. Nessa última AG ainda houve outra lista que se apresentou, mas depois retirou-se na altura das decisões. E tivemos logo de arranjar uma equipa à pressa para competir na Divisão de Honra da AF Coimbra”, conta. A tomada de posse foi a 14 de julho de 2006. Não foi a Tomada da Bastilha, mas foi a Tomada da Catarina. Como que a Joana D’Arc de Eiras.

Catarina (à frente) lidera uma equipa que luta todos os dias pelo sucesso do Eirense

Um clube eclético dentro do possível

O Eirense reergueu-se com Catarina ao comando e a verdade é que, nos anos seguintes, várias melhorias foram feitas no clube. “Em 2008/09, fizemos a reestruturação das instalações do clube, adicionando a instalação do 1º andar. Tudo isto na sequência de uma tempestade que nos obrigou a esta intervenção”, explica, acrescentando depois: “Também em 2008, adquirimos o novo autocarro do clube. E depois, em 2009/10, deixámos definitivamente o pelado para colocar um relvado sintético no campo.”

O pelado deu lugar ao relvado sintético em 2008

Para além disto, Catarina introduziu novas modalidades no clube. Quando chegou, já havia natação para além do futebol, mas essa tem vindo a ser dinamizada ano após ano. Mas o Eirense tornou-se ainda mais eclético: “Sim, passámos a ter kempo, que é uma arte marcial, e também as danças urbanas, atletismo e ballet. Agora, para além do futebol, estão ativas a natação e as danças urbanas. O atletismo tornou-se independente do clube há seis temporadas.”

A natação é uma das principais modalidades do clube

“O Eirense é o meu filho pródigo”

Há 19 anos a presidir o Eirense, Catarina Crisóstomo considera que só terá tempo para pensar em ter filhos quando deixar o clube. Mas, por enquanto, tem uma meta em mente. “Eu costumo dizer, meio a sério meio a brincar, que o Eirense é o meu filho pródigo. Acredito que os clubes são feitos de relações interpessoais acima de tudo. E todos devemos pensar naquilo que queremos para o futuro. Os dirigentes de clubes distritais têm uma carga muito elevada de responsabilidade e não somos pagos para isso”, lembra.

Por ser funcionária pública, Catarina assume-se uma sortuda por “poder gerir os turnos de serviço de acordo com a vida do clube”, mas explica que isso um dia também vai acabar. “Perguntam-me muitas vezes como é que eu tenho tempo para tudo. Mas um dia que eventualmente pense em ter filhos, o tempo para o clube vai acabar. E o que me preocupa é que as pessoas não querem assumir cargos de responsabilidade nestes clubes. Tira-lhes tempo e vida familiar, eu percebo, mas se assim não for, isto perde-se para sempre”, explica, preocupada.

Catarina também se envolve em ações de cariz social

Por isso, a meta é clara. “Temos de puxar malta nova para os clubes e dar-lhes responsabilidades. Fazê-los ganhar amor por estes clubes, para que queiram pegar neles um dia”, refere.

Uma crise difícil que foi superada

Para a Presidente do Eirense, a fase mais difícil no clube “foi entre 2012 e 2016”: “Em 2012, tivemos uma crise grande. Nem quero falar muito disso, sinceramente. Mas foi quando percebemos que a empresa que colocou cá o relvado sintético não tinha pago o IVA. E foi uma enorme confusão. Felizmente foi tudo ultrapassado, mas nem quero falar…”

E a chegada do Covid também obrigou a direção do Eirense a mudar muita coisa. “Depois do Covid, tivemos de repensar tudo no clube. Mas em termos desportivos, também temos conseguido ter boas equipas e apresentar bom futebol. Estamos atualmente na divisão mais alta da AF Coimbra, depois da subida de divisão na época passada e temos orgulho no que temos alcançado”, atira a ‘Catarina do Eirense’.

Eirense subiu de divisão para a Elite na temporada transacta

Os elogios vão ainda para um homem da casa. O atual treinador da equipa sénior, Bernardo Estanqueiro, que tem apenas… 25 anos. “É um menino da casa. Jogou futebol cá no Eirense e tem feito um grande trabalho com esta equipa”, sublinha.

Incêndio nas instalações motiva onda de solidariedade

O Eirense comunicou na semana passada a ocorrência de um incêndio nas suas instalações. Os dias não têm sido fáceis, mas Catarina Crisóstomo também se diz sensibilizada por todo o apoio manifestado. “Quarta, quinta e sexta foram dias mesmo muito difíceis. Houve um curto-circuito num quadro elétrico e depois o incêndio danificou toda a lavandaria do clube. Todos os equipamentos e chuteiras dos jogadores, que foi até o que me doeu mais, sinceramente. Tratámos logo de priorizar limpezas e acionar seguros. Mas houve muitos clubes e ex-treinadores do Eirense a mostrar apoio ao clube”, diz.

Instalações do clube arderam devido a um curto-circuito

E os donativos já começaram a chegar. “Já houve vários, o que me deixa comovida. O futebol é realmente uma grande família e todos se ajudam uns aos outros. Fiquei muito surpreendida com a onda de solidariedade. E os apoios por parte do Presidente da Junta de Freguesia, o senhor responsável pelos patrocínios que resolveu logo uma série de questões. Vamos ter de renovar tudo, incluindo a colocação de um telhado novo na zona afetada para proteger a zona enquanto se fizerem as obras de reparação”, conta.

Ainda há muito para fazer

No próximo ano, Catarina Crisóstomo completa 20 anos de presidência no Eirense. Já é uma figura histórica do clube? “Não vou ser hipócrita. Eu sou daquelas pessoas que não gosta de aparecer. Mas tenho noção do trabalho que aqui temos desenvolvido. E não é por acaso que me chamam a ‘Catarina do Eirense.’ A minha ligação ao clube será sempre forte”, confessa.

Catarina mostra um amor sem fim pelo Eirense

E quando a questionámos sobre o que ainda tem para fazer no Eirense, a resposta não poderia ser outra. “Ainda há muito para fazer… Olhe, não sei se vai acontecer comigo, mas ainda gostava de ver pelo menos uma coisa. Queremos ter uma nova bancada no estádio. Temos uma amovível, mas queremos uma fixa e maior. Já temos o projeto aprovado. Falta agora é o financiamento, que é o mais difícil, mas não vamos desistir…”

Certamente que, para miúdos e graúdos, a Catarina é vista como a heroína de Eiras. E o Eirense é um filho de 19 anos que lhe dá muitas alegrias.

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